sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Distante Istambul






Adrift



navego à deriva,

embriagado

na Mármara do desejo. das emoções.

olhando incrédulo a desgovernada bússola,

inútil em frenéticas pantominas.

assim aguardo o tempo que teima em não chegar.

espero, tão-distante Istambul

chegará a hora ou chegarei antes de ser hora,
mas haverá hora?

quero atravessar o estreito, seguirei apenas o instinto

e não haverá correntes traiçoeiras que me travem

e soldados de arame farpado que me vençam

chegarei a ti, tão-distante Istambul, completarei o Bósforo

pelo instinto.

continuarei navegando embriagado, crente, à deriva.
até que vislumbre o farol dos teus olhos no final da jornada,

e numa noite de calmaria atracarei em ti, tão-distante Istambul,
nodando sábias amarras em teu ventre.

seguirei apenas o instinto, tão-distante Istambul.

o instinto.

apenas.

Istambul desejada.

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