domingo, 15 de novembro de 2015

A Palavra Prostrada



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Liberté, Égalité, Fraternité!

Paris, Sexta-feira 13 de Novembro de 2015



a noite escondeu-se na cidade.

ecos próximos lineares
acovardam a folha da noite
convulsiva em silêncios
distorcidos por finais prematuros.

estou só no cenário trémulo das mãos
e uma plúmbea nuvem paira
sobre os cérebros amedrontados.

vejo os dedos órfãos que tocam de leve
as gotas cristalizadas
na oval da palavra prostrada.

sinto o halo envolvente no mutismo côr-de-cera
da palavra prostrada.

sinto uma raiva horizontal
em espasmos incontidos.

ainda a palavra prostrada.

a palavra.

prostrada.

sábado, 14 de novembro de 2015

Dextros Cães

Azrael teutónico revoluteia

tem arames nos olhos

frenéticas batem as mil asas
medonhas são as suas quatro faces
seguem-no dextros cães
ladram, uivam, sentem o cheiro fresco do sangue.

balem os anhos, submissos, rendidos, predestinados.

na noite medonha ouço um coro em uníssono:
morituri te salutant, morituri te salutant, morituri te salutant...

a noite é medonha, medonha é a luz,
mais medonhas são as trevas

e os dextros cães ladram e uivam

e os anhos, submissos, cantam: morsu canun per dextram...

Azrael teutónico eleva a gadanha

na noite medonha ouço um coro em uníssono:
morituri te salutant, morituri te salutant, morituri te salutant...

em súbito alarme vejo-nos sós por dentro da noite

a noite é medonha, medonha é a luz,
mais medonhas são as trevas

Azrael teutónico revoluteia,

em súbito alarme vejo-nos sós por dentro do sono.

é proibido acordar.

domingo, 1 de novembro de 2015

Janela Perdida

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em diminuto espaço horizontal
galopa a morbidez no prazer amargo da distância.

dissolvo-me eroticamente macabro na concha em que nasci
e respingam ódios osmóticos na parede acentuadamente adaptada.

(todas as conchas estão aptas a dissolver desenhos
quebrados por um grito escoado de uma guelra asfixiada).

quebro-me insuficiente no espasmo do eco esmagado
enquanto pateticamente te ofereço
o fumo que me embriaga
dencontro à janela perdida entre corpo e terra.

porque já não sou eu no desterro.

aceita as cinzas de um pulmão raivoso
e deixa a minha destruição alienar-te.